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Criatividade e empreendedorismo são as apostas dos empresários catarinenses contra a crise

02/10/2017

O comércio catarinense começa a respirar mais aliviado. A Fecomércio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) de Santa Catarina comemora pela sexta vez consecutiva os resultados positivos no setor. Um desempenho que não se via desde setembro de 2015. “Eu acredito que o pior já tenha passado”, afirma Bruno Breithaupt presidente da federação.

No primeiro trimestre 536 estabelecimentos fecharam em todo o estado. A impressão pode ser negativa, mas se comparado com o mesmo período do ano passado o ritmo de fechamento de lojas diminuiu quase 76%. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou recentemente os últimos dados do volume de vendas no país. Santa Catarina ficou em uma posição invejável. O estado tem a maior alta de crescimento com 11,6%. O resultado é quase cinco vezes maior do que o registrado pelo varejo nacional (2,4%).

O trabalhador catarinense tem a renda média mais alta do país. O estado aparece com o menor índice de desemprego do Brasil. Conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) enquanto em 2016 o comércio de Santa Catarina encerrou 10.310 postos de trabalho, no primeiro semestre deste ano o setor abriu 578 vagas. “Os empresários no afã de gerar empregos fazem seus investimentos e consequentemente o nosso nível de desemprego é um dos menores do país que faz com que de fato a nossa economia caminhe diferente com outro tom do que no resto do país”, aponta Breithaupt.

Os números positivos são reflexos da coragem dos empresários catarinenses em apostar e acreditar no potencial do estado. A criatividade e o espírito empreendedor têm feito a diferença por aqui. “Eu acredito seguramente de que nós estamos cumprindo o nosso papel, cada qual no seu espaço proporcionando o crescimento do nosso estado e possibilitando que cada um tenha qualidade de vida melhor”, destaca Breithaupt.

Educação é o caminho

Santa Catarina foi o último estado a entrar em recessão e o primeiro a sair. A diferença para outras unidades da federação está no jeito de lidar com a crise e na forma de organização da sociedade. Os investimentos em educação, a responsabilidade dos empresários, os aspectos culturais e o espírito empreendedor são os ingredientes da fórmula do sucesso catarinense.

“A ajuda de todas as regiões e etnias que se fixaram nos diversos cantos de Santa Catarina fez com que nós fossemos um estado diferente, um povo diferente”, enfatiza o presidente da Fecomércio.

A fórmula não é mágica, mas tem dado certo: “Ele [o empresário catarinense] continua apostando porque ele acredita no estado, acredita no potencial dos trabalhadores, de nossos governantes, que fazem com que haja sustentabilidade nos investimentos feitos aqui”.

“Só a educação” é o caminho para vencer a crise segundo Bruno Breithaupt: “Eu acredito e tenho certeza através de leituras, experiências de outros países, eu só acredito que através da educação, do conhecimento é que nós vamos mudar esse país para a próxima geração. E isso demora uns 30 – 35 anos. Ai depende do vigor do nosso povo em querer mudar, adquirir mais conhecimento no sentido de propiciar mais riqueza para o nosso país”.

A Fecomércio responde pelo Sesc (Serviço social do Comércio) e Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial). São as apostas da federação para aprimorar a qualidade de vida dos trabalhadores e oferecer oportunidade de qualificação profissional. A entidade tem unidades do Sesc e Senac nas maiores cidades do estado. Nos últimos dois anos tem feito investimentos em novos empreendimentos. Urubici na serra Catarinense recebeu um Sesc e até o fim do ano há expectativa de abrir outro em São Joaquim. Em 2016 o investimento do Sesc em obras e equipamentos chegou a quase R$ 31 milhões.

Sonho

Bruno Breithaupt esteve recentemente em Cingapura, na Suécia e Coreia do Sul, países que para o presidente da Fecomércio são exemplos a serem seguidos pelo Brasil. “Através da educação conseguiram sair de uma situação completamente arrasada e em 35 anos desenvolveram uma econômica sustentável”. A população ganhou qualidade de vida e um modelo de economia que virou referência para países emergentes.

“Acredito que aqui no país [Brasil] nós consigamos realizar esse sonho através das reformas estruturantes. O que nos preocupa mais hoje são os empregos não só aqueles desempregados, mas a nova geração que está vindo e também tem dificuldade hoje de alcançar postos de trabalho. Eu acredito nisso, acredito que principalmente através da educação e junto com as reformas estruturantes a gente possa mudar a situação do nosso país”, encerra Breithaupt.

Perfil

Bruno Breithaupt é natural de Jaraguá do Sul, casado, pai de três filhos. Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Administração Financeira. É sócio de uma rede de lojas de materiais de construção e um shopping center. Desde 2009 é o presidente da Fecomércio.
 

>> Fecomércio em números

Representa 400 mil empresas (comércio de bens, serviços e turismo)
70 sindicatos patronais filiados
Gera 1,4 milhão de empregos 
Setor responde por 63,5% PIB
Arrecada 71,1% do ICMS
Senac: 27 unidades
SESC: 27 unidades, 52 pontos de atendimento fixo e 17 móveis

 

Fecomércio / SC