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Lixão da Estrutural será desativado até o dia 31/10

02/10/2017

O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) anuncia nesta segunda-feira (2/10) o cronograma de fechamento do Lixão da Estrutural, para a disponibilização às cooperativas dos galpões de transição e para o pagamento da compensação financeira destinada aos catadores de material reciclável que atuam no local.  A previsão é encerrar as atividades ilegais na área em 31 de outubro.

Já estão disponíveis cinco galpões para a instalação de até 1.230 trabalhadores e o pagamento de remuneração das cooperativas pelo serviço de triagem. Todas as oito cooperativas do lixão serão contratadas, desde que apresentem a documentação exigida. Além disso, está prevista a construção de três centros de triagem definitivos.

Um deles foi ocupado na última semana. O segundo começará nos próximos dias, e o terceiro está previsto para o dia 13 de outubro. A meta é que o processo esteja concluído até o fim do mês.

 

Os 1,2 mil catadores que trabalharão nos galpões vão receber a compensação financeira temporária de R$ 360,75. A concessão da bolsa é uma forma de compensar os trabalhadores pela redução da demanda de resíduos em função da desativação gradual do lixão. A medida foi proposta pelo Executivo no Projeto de Lei 1.459, de 2017, aprovado em maio pela Câmara Legislativa.

O processo de desativação do Lixão da Estrutural teve início em 2015, com a criação de um grupo de trabalho formado por diversos órgãos, que tem como finalidade elaborar e executar o plano de intervenção que visa ao encerramento das atividades irregulares.

Gustavo Souto Maior Salgado, professor do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Brasília (UnB), acredita que a questão social é preponderante nessa transição. “Há cerca de 2 mil famílias que sobrevivem da coleta de lixo. Não há como ignorá-las. É preciso que o governo garanta uma alternativa para eles”, aponta o especialista. Para isso, o governo espera expandir a coleta seletiva no DF.

Maior da América Latina
O Lixão da Estrutural é considerado o maior da América Latina e funciona ao lado da Estrutural há 60 anos. O prazo para desativar o aterro, previsto na Política Nacional dos Resíduos Sólidos, é 31 de julho de 2018.

Segundo o governador, após a desativação, serão enviadas equipes para avaliar o real nível de contaminação da área. Ainda não há planos para a destinação do espaço.

Para Salgado, a recuperação demorará muito tempo. “Em um primeiro momento, o terreno não poderá receber qualquer atividade humana, devido à concentração de chorume, substâncias tóxicas e gás metano, que podem trazer riscos à saúde e até perigo de acidentes. Somente após cerca de 10 anos, caso o governo atue de forma eficiente para recuperação, o espaço poderá receber a presença humana de forma suave, como um parque, por exemplo“, aponta o especialista.

Há quem considere a situação ainda mais delicada. Para Sérgio Koide, engenheiro ambiental e professor da UnB, as consequências ambientais do lixão devem perdurar por décadas. “Parte das substâncias tóxicas que chegarem ao aquífero subterrâneo ainda contaminarão córregos importantes nos próximos anos.”

A solução, segundo o pesquisador, passa por medidas complexas. “Seriam necessários investimentos massivos em ações que impeçam a continuidade de infiltração de chorume no solo e até a construção de outro aterro nas proximidades para tratar o lixo que está na superfície. Mesmo assim, a recuperação demoraria décadas.”

Novo aterro
Desde janeiro deste ano, o DF conta com o Aterro Sanitário de Brasília com 760 mil metros quadrados, dos quais 320 mil são destinados a receber rejeitos. A primeira etapa tem 110 mil metros quadrados e é fracionada em quatro células de aterramento.

As obras das etapas seguintes estão sendo feitas paralelamente ao início do funcionamento do local, de forma a evitar acúmulo de água da chuva e, consequentemente, de chorume. O aterro, que fica na DF-180, entre Ceilândia e Samambaia, foi projetado para comportar 8,13 milhões de toneladas de rejeitos e, com isso, ter vida útil de aproximadamente 13 anos.

A célula de aterramento onde vem sendo depositado rejeito desde a inauguração, em 17 de janeiro, tem 44 mil metros quadrados. O solo é formado por uma série de proteções para evitar a contaminação do lençol freático. A mais profunda tem 1,5 metro de terra compactada. Por cima dela, há uma manta de polietileno de alta densidade. Essas duas partes impedem que o chorume chegue ao solo.

A camada da superfície, de 50 centímetros de terra, é a que recebe rejeitos e protege a manta de possíveis danos, já que os caminhões passam por cima do material. Embaixo de tudo isso, existem drenos de captação de águas subterrâneas, que evitam rupturas motivadas pela pressão desse líquido.

Metrópolis