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Cooperativa impulsiona sinalização náutica no país

19/01/2018

A CTTSNB – Cooperativa de Trabalho dos Técnicos de Sinalização Náutica do Brasil é integrada por profissionais oriundos da Marinha do Brasil (MB), militares da reserva e especialistas civis aposentados, tendo como suporte engenheiros. É exemplo de como conhecimento técnico de excelência pode estar a serviço do desenvolvimento do país e ser transmitido aos nossos jovens. Após décadas dedicadas à sinalização náutica, militares e civis chegaram à reserva e, apaixonados pelo ofício, não permitiram que a inatividade constituísse um obstáculo ao exercício da sua profissão. Com esse espírito nasceu, em 2013, a CTTSNB.

A expansão da sinalização náutica é extremamente importante para a segurança da navegação marítima,
fluvial e lacustre, com relevância nas áreas de engenharia e logística. A CTTSNB pretende implantar o curso de Sinalização Náutica no meio civil. Tais conhecimentos podem ajudar a prevenir acidentes e a baixar os custos dos fretes nos portos, um passo a mais no barateamento das operações de comércio exterior. É a primeira cooperativa da América Latina com esse perfil. Em seu quadro há especialistas que fizeram história na Marinha, incluindo o primeiro oficial que saiu do quadro de faroleiro, a primeira mulher no país a exercer a profissão e um civil descendente de algumas gerações de Cooperativa impulsiona sinalização náutica no país faroleiros. Os diretores e demais membros são técnicos que exerceram posições de gestão nas áreas de Manutenção, Projetos, Ensino e Administração de Sinalização Náutica ao longo de suas carreiras navais. Seu idealizador e primeiro presidente, Airton Monteiro, junto com toda a diretoria, acabou de ser reeleito para mais um mandato (até 2021). Suas palavras traduzem otimismo. “Depois de trinta anos servindo à Marinha, é chegada a hora de os faroleiros entenderem que o tempo de atuação em serviço ativo solidificou seus conhecimentos e que isso lhes confere respaldo suficiente para atuarem em suas áreas. A NORMAM-17, Normas da Autoridade Marítima, em sua 4ª revisão, registra a grande conquista de 2017 reconhecendo, a pedido da CTTSNB, a praça aperfeiçoada no Curso de faroleiro como Responsável Técnico dos balizamentos particulares. O Brasil possui vasto litoral e mais de 40 mil quilômetros de rios com potencial navegável. A perspectiva econômica do transporte por hidrovias pode ser muito representativa se comparada ao trânsito rodoviário e férreo. E o faroleiro pode agora, mais que antes, dar a sua contribuição para que isso aconteça”, diz Monteiro.

As profissões dos cooperativados são reconhecidas pelo Ministério de Educação (constam do seu Catálogo
Nacional dos Cursos Técnicos); pelo Ministério do Trabalho (compondo a tabela de Classificação Brasileira
de Ocupações -CBO 3412-35); e pela Diretoria de Hidrografia e Navegação, a Autoridade Marítima. Para manter o alto padrão, a CTTSNB realiza cursos de atualização e participa de seminários e congressos sobre assuntos de interesse da sinalização náutica ou empresariais. Com 36 membros, a cooperativa tem planos de estender sua atuação para todo o Brasil. Para isso, participa de licitações públicas e particulares que proponham serviços afetos à sua área de atuação. Mesmo “jovem”, tem clientes importantes. Hoje, opera no Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte, prestando serviço às Companhias Docas dos dois Estados e para a Petróleo Brasileiro SA (Petrobras).

Sinais ampliam segurança em mares e rios

O final da Pré-História e o início da Idade Antiga marcaram, em muito, a vida do homem que praticava a agropecuária e decidiu que o excesso de sua produção seria comercializado longe de suas aldeias. A fim de encurtar distâncias, passou a utilizar os rios e mares como caminho. Foi o começo da navegação. Quanto mais o homem se lançava nas águas, mais perdia de vista grandes árvores e montes, símbolos notáveis, que serviam de apoio para o regresso do navegante ao ponto de origem.

Para que o nauta permanecesse mais tempo no mar, foi necessário que alguém criasse e estabelecesse marcas
que orientassem a navegação. O faroleiro, nome com o qual foi reconhecido mais tarde, passou a atar troncos de árvores a pedras e lançá-los nas águas, primeiro sinal de auxílio à navegação diurna de que se tem conhecimento. Se navegar de dia, quando se conseguia enxergar as marcas naturais e as elaboradas, era difícil, à noite, sem a ajuda dos auxílios visuais, era muito mais desafiador. Acredita-se que os vulcões foram os guias do navegante e serviram de inspiração para que o primeiro sinal náutico noturno fosse criado. Fogueiras acesas à beira da praia permitiam ao aventureiro afastar-se mais da costa e regressar quando o sol já havia se posto.

O tempo de permanência no mar foi aumentando de tal forma que os fogos na areia já não eram visualizados pelos navegadores. Foi quando surgiram os edifícios de pedras, erguidos para elevar as fogueiras que seriam avistadas de pontos bem mais distantes. Nem as chuvas serviram de empecilho à utilização das fogueiras. Escamas e conchas foram usadas para confeccionar o que mais tarde se chamou de lanterna e serviu para proteger o fogo. Prédio e lanterna foram motivadores para a criação do que hoje chamamos farol, sinal fixado em terra, e que se presta a auxiliar a navegação. O primeiro farol foi construído na ilha de Pharos, em Alexandria, entre 280 e 247 a.C.

Hoje, a navegação conta com recursos importantes para sua salvaguarda a começar pelos equipamentos das
embarcações, sejam as agulhas magnéticas, ecobatímetro, GPS, cartas náuticas e outros. Mas, nenhuma navegação será tão resguardada se não houver à sua disposição a Sinalização Náutica, um “conjunto de sinais náuticos visuais, fixos ou flutuantes, externos à embarcação, especificamente estabelecidos com o propósito de garantir uma navegação segura e econômica nas vias navegáveis”.

Cerca de 75% das trocas comerciais internacionais do Brasil são realizadas por mar. Os sinais náuticos existentes, fixos (faróis, faroletes, balizas) e flutuantes (boias), estão à disposição do navegante durante o dia, com sua cor e formato, e à noite, com a cor e a quantidade e tempo de luz, traçando caminhos, alertando para a existência de perigos visíveis ou submersos, garantindo a segurança da tripulação, dos bens transportados e das embarcações, por meio de uma sinalização moderna e responsável.

Apesar da modernidade dos equipamentos utilizados, a navegação não prescinde da atuação do faroleiro -
nome herdado do célebre Pharos de Alexandria - profissional forjado para idealizar e instalar os dispositivos que formam as estradas sobre as águas e previne dos perigos por onde o navegante se locomove – ou seja, o conjunto de equipamentos e sinalização que garante a segurança das travessias marítimas.

O que a CTTSNB oferece

- Planejamento, implantação e manutenção de área de delimitação para segurança de banhistas, próxima a vias navegáveis; práticas esportivas (raias para iatismo, windsurf etc.); prevenção e contenção de vazamento de óleo (no mar e em áreas próximas); proteção ambiental (reserva biológica); proteção de fazenda marítima (aquacultura e piscicultura).

-Compensação de agulha magnética.

-Montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação e sinalização em vias públicas, portos e aeroportos.

-Obras portuárias, marítimas e fluviais.

-Instalação de equipamentos para orientação à navegação marítima fluvial e lacustre.

-Serviços de escafandria e mergulho.

-Serviços de cartografia, topografia e geodésia.

-Serviços de corretometria e batimetria.

-Manutenção e reparação de embarcações e estruturas flutuantes.

-Atividades auxiliares dos transportes aquaviários não especificadas anteriormente.
-Manutenção Técnica de Sinalização Náutica.

-Elaboração de Projeto de Sinalização Náutica.

-Execução de Sinalização Náutica.

-Manutenção Geral dos Serviços de Sinalização Náutica.

-Controle de Sinalização Náutica.

Revista EasyCOOP