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Cooperativa do MST elege como metas a igualdade de gênero e a ampliação da produção orgânica

18/07/2018

A Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap) realizou nesta terça-feira (17) uma assembleia geral no Assentamento Integração Gaúcha, localizado em Eldorado do Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O objetivo foi discutir a situação política, social e econômica do Brasil, avaliar o trabalho da cooperativa no último período, planejar ações para os próximos três anos e eleger a sua nova diretoria.

A atividade começou com a leitura do edital de convocação da assembleia, seguida de estudo sobre a conjuntura nacional e estadual, com Eliane de Moura, militante do Movimento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores por Direitos (MTD), Adalberto Martins, dirigente estadual do MST, e Edegar Pretto, deputado estadual do PT. Eles destacaram os retrocessos aos direitos da população, especialmente a mais pobre, após o golpe de 2016. “O golpe é contra qualquer chance que se coloca para que a classe trabalhadora consiga viver um pouco melhor”, disse Eliane.

Avaliação e metas

Martins ressaltou a necessidade de defender um projeto popular e democrático para mudar a situação do país, a partir da retomada da “mística da revolução” com o desejo de um mundo melhor para todos. Mas, para isso, segundo ele, deve-se construir um instrumento político, que é a Reforma Agrária Popular. “A partir da produção de alimentos saudáveis, temos que avançar nas relações de gênero e gerar uma nova cultura política, que esteja associada a esse projeto de vida nova que queremos”, sinalizou. 

Ele também colocou como desafio a construção do Congresso do Povo, para dialogar com os trabalhadores de todo o país. “Temos que tirar tempo para conversar com os companheiros da cidade, discutir nossos problemas e encontrar soluções. Dialogar com as outras organizações populares e sindicais num imenso trabalho de base”, apontou.

A assistente social Sandra Rodrigues apresentou os trabalhos realizados nos últimos anos pela Cootap. Entre eles estão assembleias em diversos municípios com integrantes dos coletivos de padarias, juventude, educação, além dos grupos gestores do arroz agroecológico, do leite, das frutas e das hortaliças.

Conforme Sandra, um dos pontos positivos destacados pelos associados é que a cooperativa conseguiu se manter em sua missão, que é ser referência na produção agroecológica de alimentos. “As feiras orgânicas avançaram na região, temos cerca de 40 na Metropolitana. E apesar do desmonte de todas as políticas públicas, nós conseguimos retomar o PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]”, afirmou.


Já Nelson Luiz Krupinski, coordenador de vendas, evidenciou as metas da Cootap para os próximos anos, como avançar na produção de alimentos agroecológicos, construir um plano de vendas e fortalecer a organicidade dos jovens e das mulheres. “Queremos que eles e elas participem mais, que venham para dentro da cooperativa, que nos ajudem com suas opiniões. Queremos reforçar a não violência contra as mulheres, pois se queremos promover a agroecologia nós temos que cuidar das companheiras”, finalizou.

Por Catiana de Medeiros Da Página do MST