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Carteira de crédito das cooperativas aumenta 23%, diz BC

31/07/2019

A atual edição do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo destaca o expressivo crescimento alcançado pelo sistema em 2018, tanto em relação aos ativos totais como em relação à carteira de crédito, resultando no aumento de sua representatividade no Sistema Financeiro Nacional (SFN). A quantidade de empresas cooperadas aumentou cerca de 18%, enquanto a de pessoas físicas, 8%. 

O crescimento anual da carteira de crédito atingiu 23%, com atuação principalmente no crédito rural e em modalidades voltadas para pequenas e médias empresas.

“Apesar de o estoque do sistema cooperativo representar apenas 7,9% do crédito varejo, as cooperativas têm desempenhado importante papel na recente retomada do crédito, em particular para os segmentos que mais atuam”, destaca Vinícius Simmer de Lima, chefe de subunidade no Departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro (Desig).

Além disso, as cooperativas expandiram sua presença por meio de postos de atendimento em todo o país. As cooperativas aumentaram sua presença por meio de unidades físicas próprias em 7% no ano, alcançando 92% dos municípios da região Sul e 58% da região Sudeste.

Há 182 municípios que contam apenas com o atendimento de cooperativas, todos com população abaixo de 15 mil habitantes. “Isso reforça o papel inclusivo que essas entidades possuem na sociedade, em particular em um país com dimensão geográfica como o Brasil. As iniciativas do Banco Central de apoio ao segmento cooperativista por meio da Agenda BC# representam mais um estímulo para o seu fomento e desenvolvimento”, afirma Lima.

Consórcios crescem 9,1%

Em relação aos consórcios, em 2018 houve um crescimento de 9,1% nas cotas comercializadas (2,6 milhões), 8,1% nos recursos coletados (R$ 49,4 bilhões) e 5,8% na carteira dos consorciados contemplados (R$ 51,4 bilhões). Em dezembro de 2018 havia 150 administradoras ativas, com 17,7 mil grupos e 7,2 milhões de cotas ativas – alta de 3,6% em relação ao ano anterior. Destaca-se ainda o crescimento de 7,9% na carteira do segmento de imóveis, evolução superior à da carteira de crédito imobiliário das instituições do SFN no mesmo período (4,7%).

Além disso, a inadimplência apresentou novo recuo, mantendo a tendência de queda iniciada em 2016, com índice de 2,67% em dezembro/2018 (queda de 0,32% em comparação a 2017). O relatório destaca que o consórcio tem se mostrado uma opção importante de financiamento para aquisição de bens e um relevante instrumento de inclusão financeira, especialmente no subsegmento de motocicletas.

Por outro lado, embora o crescimento do sistema de consórcios se mostre consistente, evidenciado pelos principais indicadores do segmento, o índice de exclusão/desistência (IE) ainda permanece em patamar elevado. O número de cotas excluídas atingiu 7,3 milhões em dezembro/2018, alta de 2,0% em comparação com dezembro/2017, apesar da redução de 0,4 p.p. no IE, que alcançou 50,3% ao final de 2018.

Avaliação mais detalhada

Os dados fazem parte do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo e do Panorama do Sistema de Consórcios, divulgados nesta semana pelo Banco Central.

Nesta versão, o Panorama de Cooperativas ganhou novos contornos, com uma avaliação mais detalhada da participação das cooperativas no crédito do SFN e cinco novos boxes, que detalham aspectos relacionados a: crescimento de cooperativas incorporadoras; cooperados; demanda por crédito atendida pelas cooperativas; depósitos de municípios; e auditoria cooperativa.

O crescimento observado é consistente com a Agenda BC# de apoio à concorrência no sistema financeiro por meio da sua segmentação e do estabelecimento de proporcionalidade na complexidade regulatória, que levam ao alívio no custo de observância para instituições menores.

Os documentos apresentam uma análise agregada dos segmentos e suas divulgações são realizadas anualmente pelo Banco Central desde 2017, no segundo semestre de cada ano, tendo como data-base dezembro do ano anterior. A iniciativa tem como objetivo dar publicidade a informações de interesse público e contribuir para maior transparência dos dados do SFN.

 

Banco Central