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Após 30 anos costurando, artesã retoma sonho por meio do cooperativismo solidário

29/07/2020

Aos 66 anos, dona Lídia Ribeiro de Andrade hoje se diz realizada. Ela, que desde criança descobriu o dom para o artesanato, lembra que já por volta dos 10 anos de idade, quando ia para a roça com a mãe no interior do Piauí, não podia ver um tronco no meio do caminho que já o transformava em arte. O bordado típico da região feito pelas tias e avó também ganhou o coração da garota que gostava de presentear as amiguinhas como bonecas de pano e roupinhas feitas por ela mesma. “Eu sempre amei o artesanato”, fala satisfeita.

Dona Lídia é a atual presidenta da Associação de Artesãos do Município de Ipiranga-Piauí (Assaripi), mas a trajetória até chegar no modelo cooperativista de trabalho que tem como pilar a economia solidária foi longa. Aos 19 anos ela foi embora para São Paulo “ganhar a vida”. Lá trabalhou por 30 anos como costureira. “Eu costurava para os outros. Pegava encomendas das firmas para fazer uniformes, essas coisas. Mas não era o meu forte. Não era aquilo que eu queria”.

Foi assim que dona Lídia criou três filhos nascidos na capital paulista e levou os pais para também viverem em São Paulo. Suas irmãs também já viviam por lá. “Mas meus pais não se adaptaram com a vida da cidade grande e eu voltei com eles para o Piauí”, relembra.

O que dona Lídia não imaginava era que seu retorno para a terra natal traria tantos ganhos para ela, inclusive a possibilidade de resgatar o sonho de infância: trabalhar com artesanato e, mais ainda, ensinar o ofício para outras pessoas, principalmente para a juventude. “Na associação eu crio oportunidades de trabalho e renda para muitas outras pessoas. Mais do que produzir para gerar minha própria renda, eu faço questão de incentivar outras pessoas”, comemora dona Lídia que se reconhece como uma artesã fina. “A associação, agora, é a minha vida”.

Criada em 2008, a Assaripi nasceu a partir da associação de moradores que já existia e reunia muitas artesãs e artesãos da região. Dona Lídia está presente desde a criação e lembra que no início eram, mais ou menos, 10 associadas e associados. Hoje são mais de 60. Com a entrada de um projeto de apoio internacional, a presidenta conta orgulhosa que estão conseguindo reformar um prédio para ter um ponto fixo para a comercialização de tudo que produzem. Uma produção altamente diversificada que vai desde bordado, redes, reciclagem, pintura, até cestas e móveis feitos a partir da fibra do buriti, e que são vendidos em feiras, atualmente restritas pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). “Mas nós estamos nos adaptando e continuamos a nossas vendas pela internet”, destaca. Além disso, a associação interrompeu a produção normal e passou a fazer máscaras e toucas de cabelo, como conta a reportagem da ONU Brasil: Artesãs apoiadas pelo FIDA produzem equipamentos de proteção para combater o coronavírus no Piauí (clique aqui para ler).

Dona Lídia é mais um exemplo de como o cooperativismo e a economia solidária podem transformar a realidade do Brasil, gerando oportunidade de trabalho digno e renda para centenas de milhares de pessoas, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida. “O cooperativismo solidário significa tudo para mim. Foi por meio da associação que fiz amizades, que conheci muitos lugares. Não fosse por isso eu seria uma pessoa depressiva porque já passei por muitos momentos difíceis na minha vida. A Assaripi representa a minha vida mesmo”.

Foi para fomentar o debate em torno do cooperativismo e da economia solidária enquanto instrumentos para a geração de trabalho e renda, em especial, em tempos de crise, como a que vivemos com a pandemia do novo coronavírus, que a Unicopas lançou uma campanha digital de sensibilização para reafirmar o potencial do cooperativismo solidário enquanto estratégia de transformação social.

Durante todo o mês de julho, em que se celebra o Dia Internacional do Cooperativismo, a Unicopas conta histórias das suas centrais afiliadas que mostram o cooperativismo e a economia solidária enquanto geradores de oportunidades de trabalho e renda, principalmente às populações mais vulneráveis, além de retratar o poder da solidariedade na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna.

A Associação de Artesãos do Município de Ipiranga-Piauí (Assaripi) faz parte da Unisol Brasil, uma das centrais afiliadas à Unicopas.

 

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