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Coostafe ganha o olhar Brasil

14/01/2019

Pioneira no país, a Coostafe (Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora) é a primeira cooperativa de presas no Brasil. Organizada no Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém/PA, está servindo deexemplo e modelo para implantação de iniciativas similares em Tremembé, no interior paulista, e em Palmas, capital do Tocantins.

A implantação e expansão desse modelo de cooperativa, incentivado e autorizado pelos órgãos de segurança e judiciários, conta com apoios importantes como os da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) e do instituto Humanitas360. O Brasil tem 726 mil pessoas presas – 42 mil mulheres. Delas nasce essa força tão especial que impulsiona um poderoso instrumento de resgate dacidadania e da autoestima, além de gerar renda e dar oportunidades de profissionalização dentro e depois fora da prisão.

A Coostafe é apenas um dos projetos diferenciados desenvolvidos no Centro de Recuperação Feminino (CRF) de Ananindeua, sob a batuta da diretora Carmen Botelho, que chegou ao local em 2013, em um momento de crise no sistema penitenciário do Pará, com “um novo olhar sobre o cárcere”. O CRF está com lotação abaixo de sua capacidade de 600 presas. “Eu acredito no ser humano”,afirma a diretora. “Acredito que ele é capaz de melhorar. É só ter uma oportunidade, uma orientação.”

Foi com esse pensamento que ela incentivou a criação da Coostafe, ao lado de outros projetos de resgate da cidadania das presas, como a unidade básica de saúde; o Coral (Timbres); o Sementes (programas de trabalhado externo, em parceria com a Prefeitura); o Acolher (para novas presas); o Libertarte (pintuta); o Segura Mana (de apoio psicológico); o Jardim Sensorial (para atividades lúdicas e musicais); o Beleza Livre (profissionalização em estética); a Mais Mulher (rádio interna); o Café com a Diretora (papos mensais comCarmen); a Padaria; o Mamãe Não Cometa Crime (prevenção); o Tempo de Ler (alfabetização); e muitos outros, como os voltados às presas grávidas.

A formalização da Coostafe, em fevereiro de 2014, foi uma espécie de joia da coroa nessa “revolução” promovida por Carmen e sua equipe dentro do CRF, a partir da necessidade de combater a ociosidade e de convencer as presas de que “elas são as autoras de suas vidas”. O primeiro passo foi mapear talentos em bordado, crochê. Presas treinaram outras presas. E assim nasceu a cooperativaque ganhou os olhares de todo o país e já recebeu o Prêmio Inovare. 

Seus produtos são comercializados pela internet, em feiras de finais de semana em duas praças, em Belém e Ananindeua, e em exposições sob pedidos. A demanda é maior do que a oferta. Elas vendem, elas recebem, elas administram, elas ajudam suasfamílias. Carmen apenas financiou a compra dos primeiros insumos.

“Remédio para minha alma”

Uma das presas integrantes da Coostafe, resume o espírito da iniciativa. “A cooperativa foi um remédio para a minha alma. Estamos saindo da criminalidade”. Ao mostrar um dos produtos da Coostafe, uma embalagem de margarina transformada em porta-jóias, a presidiária afirmou: “É assim que tem que ser o pensamento da sociedade civil. Não jogar as pessoas para entupir bueiros, mas transformá-las em porta-joias.”

Loja no aeroporto de Belém

A mais recente conquista da Coostafe foi uma parceria, fechada no final de outubro, para a venda de seus produtos no Aeroporto Internacional de Belém. A parceria é com a Protec Bag, empresa de malas e plastificação de bagagens que tem uma loja e um quiosque no aeroporto. Clientes e visitantes podem adquirir bolsas, sacolas, encostos de cabeça e outros produtos feitos pelas detentas do CRF, que ficarão com parte da renda.

Revista EasyCOOP