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BRASIL: Após diesel, governo lança ações de olho em caminhoneiros

16/04/2019

O governo anuncia, na manhã desta terça-feira (16/04), um conjunto de medidas "estruturantes" para melhorar as condições gerais do transporte rodoviário no país, em uma pauta que vai além do aumento do preço do diesel. Depois de suspender, na semana passada, o reajuste de 5,7% no diesel, que havia sido anunciado pela Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro convocou para hoje uma reunião com ministros e técnicos da estatal para conhecer em detalhes a necessidade do aumento de preços e a estrutura de produção e revenda de combustíveis.

O governo está muito preocupado com a ameaça de uma nova greve dos caminhoneiros, que considera uma questão de segurança nacional. Esse foi o principal assunto da conversa de Bolsonaro com o vice, Hamilton Mourão, a quem visitou na manhã de domingo. Mourão estava de repouso, com tendinite.

Ambos sabem que o governo não pode ficar refém de um movimento dos caminhoneiros e têm, como estratégia de mais longo prazo, a quebra do monopólio da Petrobras no refino, assim como investimentos em ferrovias. Para o curto prazo, as medidas que serão divulgadas hoje pelo ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura, são relacionadas a melhoria das condições das rodovias, tais como a conclusão das obras nas BR-163 e BR-242.

O governo vai retomar, também, as demandas não atendidas nas negociações do ano passado. Bolsonaro anunciou recentemente a criação do cartão do caminhoneiro, com o qual o profissional poderá abastecer até 500 litros de diesel pelo preço inicialmente contratado. Haverá, também, o maior controle da "indústria" da multa por radares; o aumento da fiscalização do cumprimento da tabela do frete; e a construção dos locais de repouso nas rodovias pedagiadas.

Nesta segunda-feira (15/04), após quatro horas de reunião na Casa Civil, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, garantiu que a política de preços dos combustíveis "é uma decisão empresarial, não uma decisão de governo" e que a empresa "é livre" para deliberar sobre o tema. Não foi o que aconteceu na semana passada. Nos bastidores, auxiliares de Bolsonaro indicavam que sempre haverá algum grau de intervenção nesse assunto. Este governo está longe de ser "keynesiano", mas tampouco é "John Locke puro", disse uma fonte do Planalto.

Castello Branco ressaltou que a estatal chegou a um limite nas concessões que pode fazer a respeito da política de preços do diesel, ao concordar com reajustes quinzenais; e o cartão do caminhoneiro vai permitir aos profissionais comprar o combustível a um preço fixo.

O executivo negou que tenha sido intervencionista a postura de Bolsonaro, que na semana passada segurou um reajuste no preço do diesel. Isso porque, segundo ele, quem decidiu barrar a alta no fim das contas foi a diretoria da empresa, e não o presidente. "Ninguém ordenou à Petrobras que não reajustasse; o presidente alertou para os riscos [de aumentar o preço do produto]", disse.

Além de Castello Branco e de Onyx Lorenzoni, participaram da reunião os ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia); Tarcísio Freitas (Infraestrutura); Paulo Guedes (Economia); Santos Cruz (Secretaria de Governo); e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral), e o presidente do BNDES, Joaquim Levy.

O temor de uma nova greve de caminhoneiros preocupa Bolsonaro desde o período de transição. "Foi a escolha de Sofia", disse um interlocutor sobre a decisão do presidente de pedir para a Petrobras segurar temporariamente o reajuste do diesel.

Valor Econômico