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Google em SP recicla com ajuda de cooperativas

13/08/2019

Em meio aos espelhados prédios da Avenida Brigadeiro Faria Lima, no centro empresarial de São Paulo, um costuma chamar a atenção dos passantes: o edifício Victor Malzoni. Suas torres abrem espaço para a casa bandeirista, erguida no século XVIII e bastante destoante do cenário da região. O “prédio do Google”, como ficou conhecido na região por abrigar a empresa, possui um segredo: um horta subterrânea que incentiva a sustentabilidade.

A iniciativa existe há três anos e surgiu da ideia de tornar o condomínio mais sustentável. De acordo com Flávio Engel, diretor de marketing e sustentabilidade do edifício, a proposta começou com conscientização dos funcionários e a separação de papel, vidro, plástico, alumínio e orgânicos. Em seguida, veio a aquisição de uma composteira e, por fim, a ideia de montar uma horta.

O projeto fornece, quinzenalmente, cerca de 30 kits de temperos orgânicos. Para retirar, os ocupantes do prédio só precisam trazer um saco de lixo reciclável em troca.

Hoje, tudo o que é reciclável é separado e encaminhado para as caçambas de cooperativas especializadas. Já o que é orgânico vai para a compostagem interna e gera de 5 a 6 toneladas de adubo por mês. Ele também é usado para cuidados dos jardins do prédio, gerando uma economia de R$ 30 mil a R$ 40 mil por ano — o valor é doado para ONGs e funcionários. No final do processo, 55% do lixo gerado pelo condomínio é destinado de forma correta.

A taxa está abaixo do sonhado pelos gestores, que querem algo em torno de 95%, mas é significativamente maior que a média nacional. No Brasil, menos de 1% dos resíduos orgânicos são tratados e apenas 3% do que é reciclável é reciclado no país. Os dados são da dados da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Para tantas mudanças o investimento inicial feito no empreendimento foi de R$120 mil. O dinheiro financiou todo o material de comunicação, a máquina de compostagem, a contratação de dois novos funcionários para lidar com a gestão de resíduos e a estrutura para horta, que seguiu o modelo de uma iniciativa na Finlândia e incluí um sistema de irrigação e lâmpadas especiais.

O dinheiro, segundo Flávio, retornou aos cofres em pouco mais de um ano e ainda gerou uma economia de cerca de R$ 8 mil por mês, já que à época a quantidade de lixo encaminhado para aterros era duas vezes maior do que atual e a taxa mensal deste envio era R$ 16 mil.

Além do dinheiro, o gestor do edifício faz questão de destacar o caráter educacional do projeto, que é frequentemente visitado por alunos de escolas públicas e privadas.

“A gente conseguiu mostrar para as pessoas que é possível fazer e deixamos ao menos as 5 mil pessoas que trabalham aqui muito mais engajadas. Agora imagina se outros edifícios replicarem o nosso modelo?”, comenta.

Yahoo - Por Giovanna Maradei