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Conheça o Programa Cooperativismo nas Escolas (PCE)

26/08/2010

No dia 21 de agosto passado foi realizado curso para professores das escolas municipais que participam do Programa Cooperativismo nas Escolas- PCE no município de Campinas das Missões. Participaram desta etapa do curso educadores de Campina das Missões, Ubiretama e Cândido Godói. A atividade compõe o calendário de capacitação do Programa que está sendo realizado neste semestre na região.


O PCE é um programa inédito de formação em cooperativismo direcionado para estudantes do ensino fundamental que já completou 17 anos, é realizado na região da Fronteira Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul com a participação de escolas de 11 municípios. Criado em 1993 a partir da mobilização de sindicalistas, educadores e lideranças cooperativistas, movimentos sociais e ONGs a iniciativa do PCE surgiu em um contexto de crítica ao setor cooperativista hegemônico das  grandes cooperativas agroindustriais. Essas cooperativas viviam uma crise no final dos anos 80.


Como uma resposta a esse quadro começa a reação por parte das associações de pequenos produtores, cooperativas dos assentamentos de Reforma Agrária e sindicato de trabalhadores rurais no sentido de retomar os valores e pressupostos do trabalho associativo e autogestionário,  identificado com os princípios da Economia Solidária. É neste contexto que surge a  proposta de levar este debate do novo cooperativismo de base popular e vinculado aos movimentos sociais para as escolas a partir de um programa de educação cooperativista não-formal.


Uma importante fonte de informação sobre o programa está no livro “Trabalho Coletivo e Educação” do professor Antonio Andreoli que também foi um dos criadores do PCE. O livro, editado pela UNIJUI é resultado de sua pesquisa de mestrado do autor sobre a experiência do programa nos anos de 1993-1999. Na apresentação do livro Andreoli destaca:


“O PCE como experiência de cooperação inserida nas escolas, surgiu no contexto da discussão dessas novas alternativas para a região. O cooperativismo, o associativismo e o sindicalismo, juntos, passaram a propor mudanças na educação e colocaram à disposição das escolas um instrumento que permitia a reflexão sobre as formas de organização existentes e a necessidade de reconstruir as suas estruturas com uma maior participação dos associados”( Andreoli, 2007, pag.107)


Dentre as cooperativas mais atuantes no programa e na mobilização sobre o tema destaca-se a Cooperluz, cooperativa de eletrificação rural que foi uma das criadoras do PCE e ainda hoje é a principal gestora do Programa. Outra entidade que têm cumprido um papel de destaque na construção da Economia Solidária na região é a AREDE – Associação Regional de Educação Desenvolvimento e Pesquisa, responsável por importantes projetos de assistência técnica e organização dos empreendimentos solidários.


O curso realizado no último sábado foi uma das etapas de capacitação realizada pelo programa. O Curso foi ministrado por Paulo Marques, pesquisador e integrante do BA. No curso foram discutidos temas relacionados a história do cooperativismo, a emergência da Economia Solidária no contexto da crise do neoliberalismo e a construção do movimento social da ES no Brasil. A atividade contou também com a participação do professor Airton da Silva, integrante da AREDE, que discorreu sobre o contexto dos empreendimentos solidários da região e as ações em andamento.


A continuidade deste Programa inovador, por mais de 15 anos, comprova o êxito da iniciativa,  assim como reflete o crescimento da Economia Solidária na região, que conta hoje com o Fórum Regional de Economia Solidária da Fronteira Noroeste, um dos mais ativos dentre os 11 existentes no Estado,  reunindo diversos empreendimentos econômicos solidários, cooperativas da agricultura familiar, entidades de apoio e gestores públicos.

Blog Brasil Autogestionário