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Reciclagem é fonte de renda para 200 famílias em Marília

31/10/2011

Atividade essencial dentro dos esforços de se promover um desenvolvimento econômico sustentável, a reciclagem é a fonte de renda que mantém pelo menos 200 famílias em Marília. Em outros tempos uma atividade marginalizada, hoje os chamados catadores se apresentam mais organizados e conseguem driblar a falta de oportunidades no mercado formal garimpando materiais que podem ser reutilizados, como papel, plástico e alumínio.


A grande barreira enfrentada por eles ainda é o baixo valor pago pelos receptadores e a falta de colaboração da população, que em grande parte ainda não separa o lixo orgânico do que tem potencial para a reciclagem.


É o que explica a presidente da Cotracil (Cooperativa de Trabalho Cidade Limpa), Ana Maria Marques Rodrigues. Ela conta que há pouco mais de quatro anos o número de catadores beirava 700, mas após a crise financeira mundial e a consequente desvalorização do material reciclado muitos acabaram deixando a atividade.


“Paga-se muito pouco hoje e o trabalho é pesado. Isso sem falar que falta a cultura em Marília de separar os recicláveis”.


Atualmente a Cotracil conta com 23 trabalhadores cooperados, sendo que a grande vantagem de integrar a cooperativa é que o material chega até a sede do projeto e não há o trabalho de percorrer a cidade em busca dos recicláveis.


“Passamos com o caminhão em locais já certos, onde a população separa para nós e trazemos tudo para cá, onde compactamos e encaminhamos para a venda”.


O rendimento de um reciclador fica, em média, na faixa de R$ 400 e R$ 500. Dinheiro esse que a cooperada Tereza Barbosa usa para manter quatro filhos e o marido, que é deficiente visual.


“Vivo disso há oito anos. Não vou ficar rica, mas consigo manter minha família e isso é o que importa”.

Mensalmente apenas a Cotracil retira do lixo comum 25 toneladas de material para reciclagem, quantidade que poderia ser dez vezes maior se fossem realizadas campanhas de incentivo e conscientização para a separação do lixo orgânico dos recicláveis, garante a presidente da Cotracil.


Catadores chegam a coletar 200 kg por dia


Os catadores que não são associados à Cotracil não gozam da facilidade de receber os materiais na mão e rodam quilômetros por toda cidade atrás dos recicláveis. Entre as histórias de superação nesse meio o Diário ouviu a do catador Rui Aparecido Sanches, 60, morador da Vila Barros.


Ele chegou em Marília há cinco anos, veio de Porto Feliz. Desempregado morou alguns meses na rua até que descobriu na reciclagem uma forma de sobreviver.


Sanches conta que acorda todos os dias por volta das 4h30, começa a trabalhar às 5h e via de regra não chega em casa antes das 19h. Em dias bons ele chega a coletar 200 quilos de recicláveis e tira cerca de R$ 400 por mês.


“A reciclagem me tirou da rua. Hoje moro na favela, mas pelo menos tenho um teto para descansar depois de um dia de trabalho”.


O catador diz que passou por muitas situações difíceis e quase morreu de fome. Lembranças que ele agora tenta esquecer. “Na vida a gente tem que guardar as coisas boas, aprender com tudo de ruim que te acontece e seguir em frente. O trabalho é duro, mas ele me mantém pelo menos com um pouco de dignidade”.

Diário de Marilia