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No CE, banco de economia solidária participa da Copa das Confederações

17/06/2013

O Banco Palmas - o primeiro de economia solidária do Brasil - instala neste sábado (14) um box no Aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, onde os turistas que chegam para a Copa das Confederações poderão fazer câmbio de suas moedas (euro, dólar ou real) pela moeda social Palmas. O stand funcionará até 28 de junho, das 8h às 22h, e terá uma vasta programação com tocadores, repentistas, cordelistas, grupos de danças regionais, grupos de música da periferia, capoeira, malabares, e outras manifestações culturais.


O banco também fará sorteio de 200 entradas para jogos da Copa das Confederações, doados pelo ex-jogador Ronaldo, durante visita ao local, em janeiro deste ano.


Banco Palmas


Em janeiro de 1998, a Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras, uma comunidade carente de 32 mil moradores, criou o Banco Palmas, uma rede de solidariedade entre produtores e consumidores. A ideia era implantar programas e projetos de trabalho e geração de renda, utilizando sistemas econômicos solidários, para a superação da pobreza local. "Bancos comunitários mostram que é possível um novo sistema financeiro baseado na cooperação e na solidariedade", diz Joaquim de Melo, fundador do Banco Palmas.


O objetivo do banco é garantir microcréditos para produção e consumo local a juros baixos, sem exigência de consultas cadastrais, comprovação de renda ou fiador. As informações sobre o cliente  são obtidas em conversas com os vizinhos e com os comerciantes locais, baseadas em visitas à casa do morador solicitante e na própria participação do morador nas atividades do Banco Palmas e da comunidade. É uma espécie de “aval social”.


O primeiro apoio, de R$ 2 mil,  veio de uma organização não governamental do Ceará. Os primeiros recursos do Palmas foram emprestados a cinco pessoas: um peixeiro, uma fabricante de sandálias, uma artesã, um comerciante de um mercadinho e uma costureira, que utilizaram os créditos para seus negócios.  Em 2013, o Banco Palmas já oferece linhas de crédito de R$ 50 a R$ 15 mil.


Na mesma época da criação do banco, também foi instituída uma moeda social,  “Palmas”, que circula entre moradores e comerciantes da região, de forma a forçá-los a consumir o que é vendido ali e fazer a economia girar.  A Palmas é indexada ao real (1 palma = 1 real), o que facilita a conversão e faz com que a quantidade de Palmas que circula no bairro seja exatamente a quantidade de reais acumulada.


Taxa de Juros


No Palmas, o juro depende da captação e varia de 1,5% a 3% ao mês. “É a lógica de distribuição de renda, quem tem menos paga menos, quem tem mais paga mais. Essa é a lógica do banco comunitário”, afirma Joaquim de Melo. Hoje, mais de 80% dos moradores fazem suas compras dentro do próprio bairro. Os empreendimentos cadastrados podem fazer o câmbio no Banco Palmas em caso de necessidades de estoques.

Verônica Prado Do G1 CE